Brasileiros têm cerca de meio trilhão de dólares declarados em investimentos no exterior

Os brasileiros possuíam US$ 498,843 bilhões declarados no exterior no final do ano passado, segundo dados do Censo de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE) divulgados nesta semana pelo Banco Central. As estatísticas englobam investimentos de pessoas físicas e também de empresas.

O valor representa aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, calculado, também no fim do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em R$ 6,559 trilhão – ou US$ 1,981 trilhão (considerando o dólar do fechamento de 2017, de R$ 3,31).

De acordo com Fernando Rocha, chefe do departamento de estatísticas do Banco Central, o valor que os brasileiros têm em investimentos no exterior é menor que o de países desenvolvidos. No entanto, o volume tem crescido, o que, segundo ele, é “esperado e desejado”.

“Em relação aos países mais desenvolvidos, esse percentual [de 25% do PIB], para eles, é maior. O nosso tem crescido. Começa em US$ 200 bilhões [em 2007] e agora chega a US$ 500 bilhões [no ano passado]. Isso superou em muito o crescimento do PIB em dólar”, disse ele.

Os valores de investimentos de brasileiros no exterior mais que dobraram nos últimos 10 anos. Em 2008, eram de US$ 209,488 bilhões, de acordo com os números do Banco Central.

O banco explicou ainda que os ativos externos são usados para calcular a Posição Internacional de Investimentos (PII) do Brasil. O PII é um instrumento estatístico que analisa a composição das contas externas brasileiras. As informações são úteis para a formulação e execução da política econômica.

Declarantes

Pelas regras do censo, são obrigados a declarar os valores, anualmente, as pessoas que residem no Brasil e possuem ativos externos em montante igual ou superior a US$100 mil.

Segundo o BC, a declaração tem por objetivo coletar informações estatísticas sobre os ativos externos do país.

Quem deixar de declarar pode ser punido com multas que chegam a R$ 250 mil.

O número de declarantes quase quadruplicou nos últimos dez anos:

  • 2008 – 16.105 (14.228 pessoas físicas e 1.877 empresas)
  • 2017 – 60.301 (55.757 pessoas físicas e 4.544 empresas)

Distribuição dos investimentos

Os dados do BC mostram que, dos cerca de US$ 500 bilhões investidos no exterior no final de 2017, a maior parte é dividida da seguinte maneira:

  • US$ 386,869 bilhões estão em investimento brasileiro direto, dos quais US$ 357,938 bilhões em participação no capital de companhias estrangeiras.
  • US$ 40,132 bilhões estão aplicados em operações de “carteira”, ou seja, aplicações financeiras, como: ações (US$ 31,114 bilhões), “Brazilian Depositary Receipts” (recibos de companhias brasileiras no exterior), no valor de US$ 2,970 bilhões, e títulos de renda fixa (US$ 9,019 bilhões).

Além disso, também há aplicações, em menor escala, em derivativos no exterior, ou seja, nos mercados futuros de outros países – que somaram US$ 988 milhões no fechamento de 2017.

Os números do BC também revelam aplicações de brasileiros em créditos comerciais, empréstimos e em moedas estrangeiras.

Fernando Rocha, do BC, assinalou que as taxas de juros que remuneram as aplicações financeiras são mais baixas em outros países do que no Brasil.

Ele observou que o dólar se valorizou nos últimos meses. Por isso, quem aplicou no exterior no passado, tem mais recursos ao converter esses valores para reais.

“Essa depreciação do real [alta do dólar] tem de ser acrescida nos juros pagos lá fora. É natural que empresas tenham mais poder de fogo [para aplicar no exterior do que pessoas físicas]. A questão de, eventualmente, aplicação de ‘portfólio’ no mercado internacional, pode servir para estratégia corporativa e de diversificação de risco”, acrescentou.

Regularização de ativos

O Banco Central observou ainda que o chamado Programa de Regularização de Ativos de brasileiros no exterior, aberto em 2014 e em 2016, resultou no incremento do volume de investimentos brasileiros no exterior em US$ 54,596 bilhões.

Pelas regras desse programa, pessoas físicas e empresas que aderissem e declarassem valores investidos lá fora, na primeira fase, em 2014, tinham de efetuar o pagamento do imposto devido (15%) e também da multa (mais 15%). Com isso, foram arrecadados R$ 46,8 bilhões, parte dos quais foi repassada para estados e municípios.

Fonte: G1.

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