Em novo julgamento, ex-policial líder de grupo de extermínio é condenado a 30 anos de prisão por morte de adolescente

A Justiça de Ribeirão Preto (SP) condenou na noite desta quinta-feira (2) o ex-policial civil Ricardo José Guimarães a 30 anos de prisão em regime fechado. Ele foi levado a júri popular pela morte do adolescente Thiago Aguiar Silva, de 14 anos, em janeiro de 2004.

O advogado de defesa do réu não foi localizado para comentar a sentença.

O crime aconteceu na esquina das ruas Marcondes Salgado e Florêncio de Abreu, no Centro da cidade. Segundo o Ministério Público, Guimarães atuou com um grupo no assassinato do adolescente, que tinha passagens pela polícia por envolvimento com tráfico de drogas. Apesar disso, os demais suspeitos não foram identificados.

De acordo com a acusação, Thiago foi morto por tiros de calibre 765, o mesmo encontrado nas cenas de outros homicídios registrados na época e cometidos por integrantes de um grupo de extermínio. A Promotoria sustenta que Guimarães chefiou a quadrilha nas décadas de 1990 e 2000.

“Foram apreendidos calibres 765 que foram utilizados para matar esse menino. Em março de 2004, Guimarães foi preso em flagrante pela Polícia Militar depois de ter matado Tatiana Assuzena. Uma das armas apreendidas foi uma pistola 765”, diz o promotor José Gaspar Figueiredo Menna Barreto.

Ainda segundo o promotor, o confronto balístico, técnica usada pela perícia para conferir a ‘digital’ da arma, comprovou a origem dos projéteis na pistola portada por Guimarães ao ser preso dois meses depois.

Guimaraes está preso há 11 anos em Tremembé (SP). Somadas, as penas impostas a ele pela Justiça chegam a 206 anos de cadeia.

Mais condenações

Este é o quarto julgamento enfrentado pelo réu. Em fevereiro deste ano, o ex-policial civil foi condenado a 56 anos de prisão em regime fechado pela morte da dona de casa Tatiana Assuzena, de 24 anos. O crime foi em março de 2004, em Ribeirão Preto.

A Justiça ainda condenou à prisão o ex-investigador Rodrigo Cansian de Freitas e a namorada dele, Karina Modesto Grigolato.

Guimarães foi acusado de atirar no peito da vítima, quando ela tentava evitar que o noivo, Almir Rogério da Silva, fosse baleado, dentro da residência do casal, no Jardim Independência.

Segundo o Ministério Público, Silva passou a ser alvo de uma conspiração, após rejeitar Karina, que mantinha um relacionamento amoroso com Freitas e instigou o namorado a tramar o assassinato por vingança.

Em julho de 2017, após dois dias de julgamento, a Justiça de Ribeirão Preto condenou Guimarães pelas mortes de Anderson Luiz de Souza e Enock de Oliveira Moura, em maio de 1996.

pena foi de 72 anos de prisão em regime fechado por homicídio duplamente qualificado e com agravantes por meios que dificultaram a defesa das vítimas.

Segundo a acusação, os crimes ocorreram quando Guimarães chefiava o grupo de extermínio em Ribeirão Preto.

Em dezembro de 2017, Guimarães pegou 42 anos de prisão pelas mortes de dois policiais no Rio Grande do Sul. Os assassinatos foram cometidos em julho de 2005.

Fonte: G1.

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