Crise no setor de autopeças provoca demissões em Batatais, diz sindicato

Até agosto, cerca de 230 trabalhadores foram dispensados das fábricas.

Faturamento do setor caiu 13% e déficit na exportação é de US$ 6 bilhões.

Levantamento realizado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) indica que o faturamento do setor de  diminuiu 13% em todo o país entre janeiro e agosto deste ano. A crise atingiu em cheio a geração de empregos: no mesmo período, pelo menos 230 trabalhadores do setor foram demitidos só em Batatais (SP), segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos.

A fábrica de Luciano Patrocínio foi uma das atingidas. Ele conta que o faturamento da empresa caiu 65% nos últimos quatro anos e, como consequência, sete dos 12 funcionários precisaram ser dispensados. Patrocínio reclama da falta de incentivo por parte do Governo Federal e da desvantagem na competição com produtos importados, principalmente da China.

“Não tenho condição, por conta dos insumos que aumentam todos os dias. Sem contar a questão de impostos que aumentam também. Houve um aumento de 79% nos nossos impostos. Como é que a gente consegue trabalhar e competir com os outros países que possuem uma política salarial e econômica bem mais avançada que o Brasil? É complicado”, desabafa o empresário.

Retração
O relatório do Sindipeças comprova a realidade vivida por Patrocínio em Batatais. A queda no faturamento representa a sexta redução consecutiva, uma vez que setor já havia começado o ano com saldo negativo de 0,2%. Em relação ao ganho real das montadoras, a diminuição foi ainda maior, fechando em 17,23%, entre de janeiro a agosto de 2014.

As vendas em todos os segmentos também registraram queda: 16,6% nas montadoras, 12,2% nos  negócios intrassetoriais, 4,8% na reposição e 4,2% na exportação. Os índices negativos no país totalizam um déficit de 6,66 bilhões de dólares no acumulado do ano – recuo tanto das importações, quanto das exportações. Para a Venezuela, por exemplo, houve uma variação negativa de 70% na exportação de autopeças, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores, Reginaldo de Oliveira, a crise só não é pior porque outros setores na cidade conseguiram absorver a mão de obra que foi dispensada. Entretanto, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego apontam que, apesar de a cidade ter saldo positivo de 651 postos de trabalho entre janeiro e setembro, o índice é 3,7% menor que o registrado no mesmo período do ano passado, quando foram geradas 676 vagas.

“Batatais tem uma diversidade grande de empresas em diversos setores, como agrícola, de fundição, têxtil, então a gente tem ainda um número pequeno de desempregados, mas isso por enquanto. Mas a tendência é que esse cenário se mantenha assim só até o final do ano”, afirma.

Fonte: Globo.com