Após se formar na faculdade, jovem com paralisia cerebral sonha com 1° emprego e quer constituir família

Depois de ter sido ovacionado ao receber o diploma de bacharel do curso de Rádio, TV e Internet de uma faculdade de Campo Limpo Paulista (SP), Juliano Guerreiro Peinado, de 22 anos – que devido a uma paralisia cerebral é deficiente físico e não fala -, agora sonha em conquistar também uma vaga no mercado de trabalho.

Como ele namora há quase dois anos com Samara Andressa Dele Monte, a ideia é que, a partir do emprego, ele possa constituir família e, assim, realizar outro sonho.

Em entrevista ao G1, a mãe do recém-formado, a professora Isabel Cristina Costa, conta que, como profissional, o filho sonha em trabalhar com filmagem, direção ou edição de imagens.

A mãe ainda conta que o relacionamento do casal começou por meio de uma amiga em comum, que inicialmente os apresentou virtualmente. Os dois começaram a conversar diariamente até que marcaram o primeiro encontro. Desde então, nunca mais se separaram.

Para ir em busca de mais um sonho, Juliano não perdeu tempo e já montou um currículo. Ele tem feito questão de distribuir para o maior número possível de pessoas e até a utiliza as redes sociais para encontrar uma oportunidade.

“Ela já fala em casamento e filhos. Eles querem construir um “puxadinho” no nosso quintal para morar, mas dissemos que só quando tiver emprego”, explica Isabel que, apesar de ser firme com o filho, está ansiosa para ser avó.

Jovem que sofreu paralisia cerebral ao nascer é ovacionado ao receber diploma da faculdade — Foto: Divulgação/Unifaccamp

Lidando com as emoções

Mesmo após alguns dias da formatura do filho, Isabel ainda tenta lidar com as emoções que afloraram com a conquista do diploma. Segundo ela, um filme passou pela sua cabeça no momento em que viu o filho segurando o canudo.

Afinal, quando Juliano estava prestes a nascer, ele sofreu uma paralisia cerebral provocada por falta de oxigênio. Devido a isso, os médicos garantiram a ela e ao pai de Juliano, Maurício Rodrigues Peinado, que, se o menino sobrevivesse, teria apenas uma vida vegetativa.

Desde os primeiros meses, os médicos já indicaram à família o uso de cadeiras de rodas por causa da deficiência motora. Depois, foram descobertas que regiões do cérebro foram afetadas pela falta de oxigênio e que, assim, Juliano não apresentaria nunca uma fala convencional.

 Mesmo assim, o garoto teve uma vida muito próxima do normal cognitivamente, segundo os pais. Teve brinquedos que brincava com os pés, ia a parques, cinemas, teatros, shows, tinha bicicleta adaptada e frequentou a escola a partir dos 3 anos. A família fazia de tudo para ele ser o mais normal, dentro das suas possibilidades.

Tanto que ele foi alfabetizado aos 7 anos e, a partir daí, a sua dificuldade de comunicação diminuiu muito. “Para nos comunicarmos com ele, vamos soletrando até que ele balance a cabeça afirmativamente. Então, é só ir montando as palavras e frases ou, quando está no computador, é só ele digitar com os pés”, explica mãe.

No dia da formatura na faculdade, Juliano já esperava que os amigos torcessem por ele, mas não daquela forma, com todos em pé, o aplaudindo com muitos gritos e assobios. Ao lembrar deste momento, Isabel ainda sente dificuldade em controlar as emoções.

Isabel garante que toda a família está profundamente emocionada pela lição de vida que Juliano deu para todos ao vencer tantos obstáculos e de uma maneira bem humorada.

“Passou um filme em nossa cabeça de todo o seu percurso escolar, de todas as dificuldades, mas também de todos os profissionais e colegas que o acolheram, ajudaram e o incentivaram a seguir em frente. É um sentimento de gratidão: a Deus por ter nos presenteado com este filho tão maravilhoso, à comunidade escolar e, principalmente a ele, por ser nosso enorme professor de amor à vida e superação de limites”, finaliza.

Juliano e Samara namoram há dois anos e sonham em se casar — Foto: Juliano Guerreiro Peinado/Arquivo pessoal

Fonte: G1.

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