MP de Jardinópolis, SP, quer que acusados de espancar jovem por vingança respondam por homicídio

O Ministério Público vai pedir à Justiça que os acusados de espancar o estudante Rian Augusto Rosarespondam ao processo por homicídio triplamente qualificado, em Jardinópolis (SP). O jovem, de 18 anos, morreu nesta segunda-feira (29) após passar dez meses internado em estado vegetativo.

O corpo dele será velado a partir das 10h30 desta terça-feira (30), no Velório Municipal de Jardinópolis. O enterro está previsto para acontecer às 15h, no Cemitério Municipal.

Rian estava internado desde setembro de 2018, quando foi transferido da Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas, em Ribeirão Preto (SP), para a Santa Casa de Batatais (SP).

Mudança na acusação

Atualmente, os réus Donizete Alfredo Bosco Campos, de 29 anos, e Kayê Mendes Pinheiro dos Santos, de 21 anos, respondem por tentativa de homicídio, motivo torpe e meio cruel. Eles estão presos preventivamente e negam intenção do crime.

De acordo com a promotora de Justiça Ana Carla Fróes Ribeiro Tosta, a circunstância da tentativa de homicídio se dava porque a vítima havia sobrevivido ao ataque, apesar do estado vegetativo.

A promotora de Justiça em Jardinópolis, SP, Ana Carla Fróes Ribeiro Tosta — Foto: Reprodução/EPTV

Rian foi brutalmente espancado ao sair da escola, em setembro de 2018. Segundo a Promotoria, ele havia terminado o namoro com Kayê e se envolveu com o ex-namorado de Donizete. As agressões foram motivadas pelo sentimento de vingança.

“Agora, com o óbito do Rian, nós teremos que mudar a acusação. É uma peça que nós chamamos de aditamento e vai ser feito um processo para tirar essa circunstância da tentativa e fazer com que eles sejam processados a partir de agora pelo crime consumado”, diz Ana Carla.

O processo ainda está na fase de produção de provas. Há duas semanas, foi realizada a reconstituição do crime. Durante o trabalho da Polícia Civil, enquanto Donizete alegou que só agrediu Rian porque foi empurrado por ele na calçada, testemunhas disseram justamente o contrário, que a vítima foi empurrada, antes de ser agredida no chão.

De acordo com a promotora, com a acusação de tentativa de homicídio, se condenados, Donizete e Kayê poderiam receber uma pena que variava de 12 a 30 de prisão, mas com a possibilidade da redução de um a dois terços do total.

“Agora, como o Rian faleceu, eles não têm mais direito a essa redução. Caso eles sejam condenados pelo júri popular, eles vão enfrentar a pena de 12 a 30 anos de prisão.”

Com o pedido para a mudança de crime, o juiz deve abrir novo prazo para que as defesas se manifestem.

Rian Augusto Rosa estava internado na Santa Casa de Batatais, SP — Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

O crime

Segundo o Ministério Público, Rian seguia em direção ao ponto de ônibus, no dia 5 de setembro, quando foi abordado por Donizete e começou a ser espancado. Mensagens com ameaças, enviadas pelo acusado, foram encontradas no celular da vítima.

Ainda de acordo com o MP, Kayê levou Donizete até o local e, de dentro do carro, acompanhou as agressões sem fazer nada. A Promotoria sustenta que Rian foi jogado ao chão e recebeu vários chutes na cabeça, e chineladas no rosto.

A vítima permaneceu em posição fetal enquanto era agredida, sem chance de reação. Mesmo inconsciente, o estudante continuou a apanhar. Testemunhas disseram que, antes de deixar o local, Donizete ainda fez ameaças aos estudantes que estavam no local e debochou de Rian.

Donizete Alfredo Bosco Campos, de 29 anos, durante reconstituição do crime em Jardinópolis, SP — Foto: Antônio Luiz/EPTV

Fonte: G1

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