Celular contrabandeado ganha mercado

Enquanto as vendas oficiais de smartphones no Brasil cresceram menos de 1% em 2019, o mercado paralelo – representado por canais de comercialização que, embora legais, não fazem parte da rede de distribuição dos fabricantes – quadruplicou de tamanho. Projeção da empresa de inteligência de mercado IDC Brasil indica que 3,2 milhões de smartphones foram comercializados no país ao
longo do ano passado. O total é o maior da década.

A expansão do “mercado cinza” desde o primeiro trimestre de 2019 está relacionada à chegada de empresas chinesas ao Brasil, diz Renato Meireles, analista da IDC Brasil. Embora a consultoria não cite marcas específicas, foi amplamente divulgada a estreia oficial no país da chinesa Huawei no segmento de  celulares, em junho. Fora do país desde 2016, a chinesa Xiaomi retornou em 2019.

“As fabricantes chinesas trouxeram muitas novidades. Produtos robustos [em termos de tecnologia] com tíquete médio baixo”, diz Meireles. As novidades despertaram o interesse do consumidor que, sensível à questão do preço, pesquisou para comprar. A saída para adquirir os aparelhos a preços mais em conta foi recorrer a sites e lojas que comercializam aparelhos contrabandeados.

O dado mais recente disponível da IDC Brasil mostra que no terceiro trimestre de 2019 foram vendidos no mercado cinza 1,28 milhão de smartphones. O total é 537,3% superior ao do mesmo período de 2018. A estimativa é que as vendas de aparelhos que entraram ilegalmente no país, sem cobrança de impostos, tenha somado 3,2 milhões de unidades em 2019. “Esse é o maior volume para a categoria desde 2010”, diz Meireles. A IDC projeta vendas totais de 47,9 milhões de celulares em 2019.

Em dezembro, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) já havia alertado para a expansão no número de celulares contrabandeados vendidos pela internet. Na época, a projeção era de que fossem vendidos em 2019 no mercado paralelo 2,7 milhões de smartphones.

Fonte de mercado calcula que 86% dos aparelhos que abastecem o mercado cinza no Brasil são produzidos pela Xiaomi. O modelo Mi 9 – que custa R$ 4.299 no site da empresa – pode ser adquirido por até R$ 1.800 em sites que reúnem diversos lojistas.

A diferença de preço se justifica pelo fato de os smartphones disponíveis no mercado cinza entrarem no Brasil vindos do Paraguai – sócio do Brasil no Mercosul , sem pagar impostos de importação. Cerca de 80% do volume de celuçares que entram no Paraguai acabam no Brasil, segundo a IDC.

Fonte: Valor Econômico

Comentários

Captha *