Índia ultrapassa o Brasil e se torna o segundo país com mais casos de coronavírus

Índia ultrapassou o Brasil e se tornou nesta segunda-feira (7) o segundo país do mundo com mais casos de Covid-19, de acordo com dados do Ministério da Saúde indiano.

O país chegou a 4,2 milhões de infecções pelo novo coronavírus, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que têm mais de 6,4 milhões de casos confirmados.

O Brasil tem 4,13 milhões de infectados, mas é um dos países que menos testam no mundo, o que contribui para que o número de casos notificados seja menor do que os que existem de fato. Além disso, a população da Índia é cerca de 6 vezes maior que a do Brasil: são 1,3 bilhão de habitantes, contra 210 milhões no Brasil.

No domingo (6), a Índia bateu o recorde diário global de novos casos de Covid-19, com mais de 90 mil notificações de infecções pelo coronavírus. No mesmo dia, o Brasil teve 16,4 mil casos confirmados.

Assim como o Brasil, a Índia também tem tido problemas com testagem. Estados usam testes diferentes para diagnosticar a Covid-19, segundo uma reportagem publicada na revista científica “The Lancet” no sábado (5).

“Comparar as taxas de testes positivos entre diferentes estados tornou-se extremamente difícil”, afirmou à revista Rijo John, analista de políticas de saúde pública e membro sênior do Centro de Pesquisa de Políticas Públicas em Kerala, estado na costa indiana com o Mar Árabico.

“Mais e mais estados estão adotando testes de detecção rápida de antígeno, que são conhecidos por terem uma alta porcentagem de falsos negativos, e não utilizam os testes RT-PCR, padrão ouro, em sua capacidade total”, disse John.

Nem todos os estados fornecem dados sobre quantidade de cada tipo de teste estão sendo usados, segundo a “The Lancet”.

Mortes e subnotificação

Voluntários cavam cova para vítima da Covid-19 em um cemitério em Pune, na Índia, nesta segunda-feira (7). — Foto: Indranil Mukherjee / AFP

Voluntários cavam cova para vítima da Covid-19 em um cemitério em Pune, na Índia, nesta segunda-feira (7). — Foto: Indranil Mukherjee / AFP

A Índia tem 71,6 mil mortes pela doença, segundo monitoramento da universidade americana Johns Hopkins. É o terceiro maior número do mundo, atrás de Estados Unidos (188,9 mil mortes) e Brasil (126,6 mil).

Mas especialistas alertam que o país asiático também tem subnotificação de mortes.

O epidemiologista Giridhara R. Babu, da Fundação de Saúde Pública da Índia, disse em entrevista à revista científica “The Lancet”, no sábado (5), que nas áreas rurais do país, onde vive a maior parte da população indiana, a maioria das mortes ocorre fora dos hospitais, o que pode atrasar a notificação.

“Dentre as mortes registradas pelo sistema de registro civil, apenas 22% são certificadas nacionalmente pelo médico com a causa da morte”, afirmou Babu.

O epidemiologista também destacou as deficiências em uma vigilância mais ampla.

“[O] Sistema Integrado de Vigilância de Doenças está coletando dados sobre mortes devido à Covid-19 em laboratórios e hospitais, mas perde as mortes daqueles que não foram testados”, disse Babu. “A verificação dos dados e o exame detalhado dos números de óbitos precisam ser feitos em vários hospitais e escritórios de campo”, afirmou.

Ele também enfatizou a necessidade de dados sobre mortalidade por todas as causas para compreender os efeitos da epidemia. “Os pacientes morrem devido a condições subjacentes e indisponibilidade de cuidados intensivos”, completou.

Um ponto que ainda não está claro sobre a contagem indiana é se as mortes suspeitas ou prováveis por Covid-19 estão sendo incluídas. A diretriz do Conselho Indiano de Pesquisas Médicas é que esse tipo de óbito seja incluído nas notificações, mas ela funciona apenas como orientação para os estados, sem ser obrigatória.

A pressão pública e da imprensa levou à recontagem do número de mortes em alguns estados indianos.

“Tamil Nadu [onde fica Chennai] acrescentou mais de 400 mortes pendentes. Maharashtra [onde fica Mumbai] também. Bengala Ocidental [onde fica Calcutá] costumava excluir todas as mortes com comorbidades das mortes de Covid-19, mas eles pararam com essas práticas”, afirmou Rijo John, do Centro de Pesquisa de Políticas Públicas em Kerala, à “The Lancet”.

Fonte: G1

Foto: Danish Siddiqui/Reuters