Anvisa autoriza retomada dos testes da CoronaVac

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta quarta-feira a retomada dos testes da vacina contra Covid-19 CoronaVac, produzida pela empresa chinesa SinoVac Biotech, em parceria com o Instituto Butantan, no Brasil. Segundo a Anvisa, a decisão foi tomada “após avaliar os novos dados apresentados”.

“Após avaliar os novos dados apresentados pelo patrocinador depois da suspensão do estudo (conforme listado na tabela), a ANVISA entende que tem subsídios suficientes para permitir a retomada da vacinação e segue acompanhando a investigação do desfecho do caso para que seja definida a possível relação de causalidade entre o EAG inesperado e a vacina”, escreveu a agência, em nota.

Na segunda-feira à noite, a agência anunciou que os estudos seriam suspensos após  “evento adverso grave” durante a fase de testes da vacina.  O GLOBO apurou que o evento grave informado na nota da Anvisa foi a morte de um voluntário. De acordo com boletim de ocorrência registrado em São Paulo, a morte deu-se em decorrência de um suicídio.

Leia mais: ‘Não há motivo para suspensão do estudo, de jeito nenhum’, diz chefe de comissão independente que fiscaliza pesquisa

A suspensão provocou críticas do Butantan, que defendia que a morte não tinha relação com a vacina e que teria sido avisado da suspensão dos testes pela impresa. Em resposta, a Anvisa afirmou que as informações fornecidas à agência sobre o caso foram “insuficientes e incompletas” e que avisou o Butantan 38 minutos antes de divulgar a informação.

Na nota divulgada hoje, a Anvisa afirma que na segunda-feira, quando suspendeu os testes, não havia sido informada sobre a causa do evento adverso grave. Além disso, diz que o boletim de ocorrência relativo ao caso não havia sido enviado. Segundo a agência, esses dados foram entregues somente ontem.

“A medida, de caráter exclusivamente técnico, levou em consideração os dados que eram de conhecimento da Agência até aquele momento e os preceitos científicos e legais que devem nortear as nossas ações, especialmente o princípio da precaução que prevê a prudência, a cautela decisória quando conhecimento científico não é capaz de afastar a possibilidade de dano”, afirmou a agência.

A Anvisa ressaltou ainda que a suspensão dos testes não significa necessariamente que o produto não tenha qualidade, segurança ou eficácia.

“A suspensão e retomada de estudos clínicos são eventos comuns em pesquisa clínica e todos os estudos destinados a registro de medicamentos que estão autorizados no país são avaliados previamente pela Anvisa com o objetivo de preservar a segurança para os voluntários do estudo”, disse.

Bolsonaro e Doria

A decisão de suspnder a vacina CoronaVac, produzida em parceria com o governo de São Paulo, foi comemorada pelo presidente Jair Bolsonaro na manhã de ontem. Ele frisou que o governador do estado, João Doria (PSDB), “queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la”, ressaltou que é contra a obrigatoriedade da vacinação e disse que é “mais uma que Jair Bolsonaro ganha”.

Covid-19: Mourão diz que Brasil pode comprar vacina da Pfizer contra Covid-19

Em resposta, o PSDB, partido do qual Doria faz parte, disse que o presidente “comemorou a morte de um voluntário da Coronavac” e que “cava vez mais ele parece estar do lado do vírus”.

Na manhã de hoje, o vice-presidente Hamilton Mourão defendeu a decisão da Anvisa e reclamou que a discussão da vacina está “toda politizada”, mas evitou comentar se o presidente Jair Bolsonaro contribui nessa politização.

O presidente vem travando nas últimas semanas uma disputa política com João Doria em relação à vacina. Inicialmente, após o governador afirmar que a imunização seria obrigatória em São Paulo, Bolsonaro disse que essa medida só poderia ser tomada com a anuência do governo federal o que, segundo ele, não vai ocorrer.

Depois, após o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciar a assinatura de um protocolo de intenções para a compra de 46 milhões de doses da vacina da Sinovac, Bolsonaro o desautorizou publicamente e disse que o Brasil não iria comprar a “vacina chinesa de João Doria”.

Fonte: O Globo

Foto: Antonio Molina / Agência O Globo