Operação Ouro Verde apura desvios de recursos públicos da saúde; hospital de Campinas é alvo

O Ministério Público e a Polícia Militar cumprem na manhã desta quinta-feira (30) 33 mandados de busca e apreensão e seis de prisão em sete municípios do estado de São Paulo. A investigação apura desvio de recursos públicos da área da saúde.

Uma pessoa havia sido presa em Campinas (SP) até as 7h40 e ao menos R$ 1,2 milhão foram encontrados na casa de um funcionário de carreira da Prefeitura, que trabalha como diretor na Secretaria de Saúde do município. Dois carros de luxo, das marcas BMW e Ferrari, foram apreendidos em um condomínio de alto padrão na cidade.

Alvos em Campinas

 

De acordo com os promotores, um dos alvos é a Organização Social (OS) Vitale, que administra o Hospital Ouro Verde, em Campinas. Procurada pelo G1, a Vitale ainda não se pronunciou. O hospital passa por uma grave crise de gestão, com atraso no pagamento dos salários e direitos trabalhistas dos funcionários, além de falta de insumos básicos, como gazes para curativos.

Os mandados estão sendo cumpridos em casas de investigados, na sede da Vitale dentro do hospital e na Prefeitura, onde o foco são os contratos.

Segundo a reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo, que está no hospital, os atendimentos não foram interrompidos. A Polícia Militar permanece no interior do prédio.

Contrato Vitale

 

A organização social assumiu a administração da unidade médica em 1º de julho e o repasse mensal previsto para a Vitale era de R$ 10,9 milhões.

Por nota, a Prefeitura de Campinas, informou que “está colaborando com as investigações do Ministério Público referente à Vitale e que tomará todas as providências ao seu alcance para que o caso seja elucidado o mais rapidamente possível”

A administração municipal disse, ainda, que nos últimos cinco anos, “vem prezando pela probidade com os recursos públicos e, se ficar constatado o envolvimento de algum agente público com qualquer ilegalidade, ele será exemplarmente punido”. Mais informações sobre esse caso serão passadas às 16h em uma entrevista coletiva.

O acesso de funcionários ao prédio não foi bloqueado, segundo a administração municipal.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, apurou-se que um grupo ligado à Vitale utiliza essa entidade para obter indevida vantagem patrimonial. Ainda segundo o Gaeco, essa vantagem é obtida pelo desvio sistemático de recursos públicos da área de saúde. A Vitale é uma organização sem fins lucrativos.

Prisão e apreensões

 

Segundo o tenente-coronel da Polícia Militar Marci Elber, os mandados de busca, apreensão e prisão foram cumpridos em três casas no condomínio Alphaville. Os carros foram aprendidos na casa de Fernando Vitor Torres Nogueira Franco, que foi preso sem apresentar resistência. Ele é ligado à OS Vitale. Documentos que estavam com ele também foram levados pelos policiais.

Ele foi levado para a 2ª Delegacia Seccional de Campinas, no Jardim Londres. A advogada de Franco informou à reportagem da EPTV, no local, que a situação crítica do Hospital Ouro Verde gerou suspeita de desvio de verbas, e não passou mais informações.

O dinheiro estava na casa de outro investigado, que trabalha como diretor no Departamento de Prestação de Contas da Secretaria Municipal de Saúde e é funcionário de carreira da Prefeitura. A residência de um quarto investigado, no bairro Botafogo, na Rua Elisiário Prado, também foi alvo da operação.

Todo o material apreendido será levado para a sede do MP, segundo informou a PM.

Outras cidades

 

Também estão sendo alvos da Operação Ouro Verde as cidades de São Paulo, Bariri, Santa Branca, Ubatuba, Várzea Paulista e Mogi das Cruzes.

Fonte: G1.

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