Faturamento com máquinas agrícolas cai 17% no 1º bimestre; setor projeta baixa e cenário desafiador em 2026
O setor de máquinas e equipamentos agrícolas começou 2026 com uma queda de 17% no faturamento e projeta uma retração de 8% no ano, diante da elevada taxa de juros, baixa no mercado de commodities, além de incertezas causadas pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Além de representar 20% dos negócios monitorados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o movimento da indústria de máquinas agrícolas é um importante termômetro para feiras como a Agrishow, um dos maiores eventos de tecnologia agrícola do mundo que acontece em Ribeirão Preto (SP) entre o fim de abril e o início de maio.
De acordo com números divulgados nesta segunda-feira (30) pela associação, as empresas do segmento faturaram R$ 8 bilhões entre janeiro e fevereiro.
Somente o mercado interno – onde a maior parte dos problemas macroeconômicos surtiram efeito – representa R$ 6,8 bilhões, o que corresponde a 85% desse montante.
“É uma queda bem grande. Isso se explica pelo preço das commodities. As principais commodities estão com preços um pouco abaixo no mercado internacional e se junta a isso o câmbio. Lembrando que ano passado o câmbio estava a R$ 6,20, veio caindo, está em R$ 5,10 em janeiro, e isso diminui a rentabilidade do agricultor”, analisa Pedro Estevão Bastos de Oliveira, presidente da câmara setorial de máquinas agrícolas da Abimaq.
As exportações chegaram a US$ 239 milhões, o equivalente a R$ 1,2 bilhões, e, mesmo com uma alta de 9% em relação ao mesmo período do ano passado, são insuficientes para compensar o cenário desafiador projetado pelos especialistas.
Com isso, a entidade mantém a expectativa de baixa de 8% no faturamento total de 2026 em relação ao de 2025, que chegou a R$ 66,7 bilhões. O número também acompanha uma projeção do Ministério da Agricultura de baixa de 3% no PIB agrícola.
Abimaq aponta redução nas vendas de tratores e colheitadeira em 2026 — Foto: Divulgação/ Case IH
Fonte: g1

